“A leitura pode contribuir em todos os aspectos que mencionei: acesso ao conhecimento, apropriação da língua, construção de si mesmo, extensão do horizonte de referência, desenvolvimento de novas formas de sociabilidade... e em outros que com certeza estou esquecendo. Por meio da difusão da leitura, cria-se um certo número de condições propícias para o exercício ativo da cidadania. Propícias, necessárias, mas não suficientes. Mais uma vez, não sejamos ingênuos. Se existe uma leitura que auxilia a simbolizar, a se mover, a sair do lugar e a se abrir para o mundo, existe também uma outra que só conduz aos prazeres da regressão. E se alguns textos nos transformam, há uma grande quantidade que, na melhor das hipóteses, apenas nos distraem. Teremos a oportunidade de voltar a este tópico.” Retirado de Os jovens e a leitura, página 101.
“A leitura não é uma atividade isolada: ela encontra - ou deixa de encontrar – o seu lugar em um conjunto de atividades dotadas de sentido.” Retirado de Os jovens e a leitura, página 104.
“(...) a leitura ser (é) um prazer solitário: em nossa época, enquanto lê, a pessoa se afasta do grupo, fica distante, distraída, no sentido mais forte da palavra, isolada.” Retirado de Os jovens e a leitura, página 106.
“(...) para a psicanálise, a leitura tem um parentesco com as atividades ditas de sublimação, que se desviam das pulsões sexuais para objetos socialmente valorizados: principalmente, segundo Freud, a atividade artística e a investigação intelectual. Estas atividades de sublimação nascem com a separação, com o primeiro objeto com o qual se deve fazer o luto.” Retirado de Os jovens e a leitura, página 108.
“Na realidade, no campo, os leitores foram sempre considerados um pouco trânsfugas. Trânsfugas os que se encontravam desenraizados, de maneira temporária ou duradoura, e tinham se convertido a essa atividade. Trânsfugas os que um dia iam embora da aldeia porque ao ler um livro, ao se apropriar de fragmentos de conhecimento, haviam sentido o desejo de algo diferente. Trânsfugas também, a seu modo, todos os que não haviam partido, mas que se entregavam à leitura para escapar. Vimos que ler lhes permitia viajar com o personagem, se abrir para lugares distantes. Os livros os transportavam para outros lugares, os convidavam a fugir.” Retirado de Os jovens e a leitura, página 109.


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